Como vocês sabem, meus amigos, sou nascido e criado na zona Leste de São Paulo e antes de conhecer as pessoas ricas dessa cidade, eu obviamente fazia os rolês ZL. Hoje vou falar de um deles: A Quermesse. Sou do tempo em que a Quermesse era um grande evento de paquera no meu bairro (releva aí, gente, eu tinha uns 13 anos).
Considere que existem níveis de badalação das quermesses, aquelas megalotadas, cheias de atrações pirotécnicas e a quermesse mais família, com pescaria de brindes, fogazza e caldo verde. E aí que, e algumas mega quermesses da ZL viraram grandes picos de violência: brigas, tumultos, arrastão e aí que a gente chega nessas veredas do busão.
Quermesse é um evento religioso, que termina pontualmente as 22h. Acabado o rolê, voltam todos para casa, de ônibus (se for uma quermesse mega badalada e cheia de gente). Aí então você imagina o momento em que o ônibus que viajava tranquilão pelo sábado a noite, de repente pára num ponto e lota da galera voltando mais ou menos bêbada da festinha de São João.
Gritaria da galerinha adolescente no Busão, gente causando, cantando, batendo nas coisas do ônibus.
Aí começam as situações bizarras.
Polícia parando o ônibus e pedindo para todos os homens saírem e serem revistados.
Motorista parando o ônibus e dizendo que não vai prosseguir viagem enquanto os causadores não se retirarem.
Velhinhas sendo desrespeitadas e causando mais tumulto.
Pois é, aí os motoristas passaram a boicotar o ponto da quermesse. Passavam reto sem dó para a ira daquelas pessoas. E numa dessas iras os passageiros boicotados armaram uma arapuca. O ônibus não parou no ponto, mas teve a inteligência de parar num semáfaro próximo. Sem brincadeira, olhei para a janela traseira e avistei 3 caras correndo com um tronco gigantesco de madeira em direção ao ônibus. POW. O vidro ficou todo estilhaçado, mas ainda grudado, podendo explodir a qualquer momento. As pessoas que estavam proximas foram retiradas dali e não outra, na primeira freada após prosseguir viagem a janela se tornou cacos de vidro espalhados por todas as partes. Felizmente ninguém se machucou.
Esse episódio deu origem a uma situação ainda mais bizarra. Quarteirões antes de chegar na rua da quermesse o motorista começou a trocar o letreiro do ônibus e o número da linha. Aí, passava pelo ponto da quermesse com relativa tranquilidade. Ainda assim teve uma vez que ele passou pelo ponto com o letreiro trocado e uma pessoa veio perguntar: "Ei motorista, esse não é ônibus tal não?".
É amigos, tão bizarro que chegou o momento em que a secretaria de segurança pública cancelou todas as quermesses da região. Com o passar dos anos elas voltaram, mas agora são todas "quermesses de família"