*Por André Santiago
Pegar o Jd Elba é sempre uma caixinha de surpresas.
Eu sempre prezei pelo meu conforto nas viagens de ônibus, principalmente naquelas que podem durar até 2 horas, portanto sempre que possível pegava o 476-G Jd Elba no ponto inicial, lá no meio da Sena Madureira.
Entrei no ônibus e já havia me preparado para dormir aquele sono das 18 horas com sol na cara pelo vidro e tremedeira incessante da Zona Sul à Zona Leste. Em pouco tempo estava acordado sem sol e sem tremedeira. Estava o ônibus parado na Domingos e Moraes e, para minha surpresa com poucos passageiros.
Uma olhada rápida e sonolenta percebi que havia algo errado. A cobradora estava de pé, na porta da frente e nada de motorista. Isso mesmo, nada de motorista. Depois de um minuto, volta o motorista ao ônibus, emputecido, a cobradora lhe dizia indignada: “o que foi que você fez???” com o que ele respondeu “o cara está com um a faca!”.
Pouco entendia do ocorrido, mas com a nova partida do ônibus foi possível entender o ocorrido. O ônibus havia fechado um Corolla, ambos pararam para tirar satisfação e o motorista com um soco quebrou (!!!) o vidro do Corolla. Ao voltarem ambos os motoristas para seus veículos passou-se a fazer um jogo perigoso de troca de faixas. O ônibus tentando desenvolver velocidade e o Corolla fechando sempre que possível. Em uma manobra que faria inveja a muito piloto de fórmula 1, o motorista do ônibus conseguiu um drible para ultrapassar o Corolla e fazer a conversão da Vila Mariana à Chácara Klabin sem sair do itinerário do ônibus.
Aqui cabe um aparte importante. Os motoristas dessa linha têm o costume de não ter muito amor ao passageiro, fazer as curvas em descidas da Chácara Klabin como se fosse um trenó do Jamaica Abaixo de Zero, fazer trechos que normalmente durariam uma hora em vinte minutos, mas, até mesmo por tudo isso, passamos a nutrir um carinho especial por esses malucos habilitados. Por isso mesmo que quando o jogo virou e o Corolla passou a ser o perseguidor, nos solidarizamos pela situação e ligamos para a polícia. Imagine que o responsável pela sua chegada em casa com rapidez e segurança (quando possível) esteja sendo perseguido por um maluco com uma faca?
A perseguição se manteve até a Ricardo Jafet, com o Corolla tendo a paciência de esperar o ônibus parar em cada ponto, tendo fim no Museu do Ipiranga. Os policiais nos fizeram descer do ônibus e protegiam o malévolo motorista do Corolla que, pudemos apurar, tratava-se de um senhor de 80 anos. Os policiais nos diziam que ele poderia ser o nosso avô e nós dizíamos que nosso avô nunca nos ameaçaria com uma faca.
A conclusão é que motorista, cobradora e velhinho do Corolla iriam para a delegacia, para grita geral dos passageiros. “E quem vai prosseguir a viagem?”. “Peguem o próximo”, e foi o que fizemos... aquele ônibus tranquilo, com quase ninguém foi brutalmente substituído por uma lata de sardinha ambulante e passei mais de uma hora de pé naquele maldizendo o velhinho e sua faca e o motorista que quebrara o vidro do tiozinho.
No dia seguinte perguntei o que que foi decidido e descobri que os distintos cavalheiros deixaram a delegacia sem fazer B.O. O velhinho do Corolla assumiu os custos com o vidro, o motorista ficou com o prejuízo da viagem e eu fiquei sem minhas horas de sono...
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Quando a Natureza Chama
Amigos viajantes,
Quando Deus criou o homem deixou um ensinamento muito claro: a natureza é mais poderosa que você, caro Adão. Uma grande verdade. Como combater aquele sono maldito, o estado alterado da bebida e extrapolando, um furacão, terremoto, tsunami? Não dá.
No entanto vou tratar aqui de um problema "interno" da natureza do ser humano.
Você já deve ter ouvido falar daquelas teorias das pessoas que assumem outra personalidade quando estão em grupo numeroso, uma personalidade coletiva, de multidão, de massa, ou apenas de grupo numeroso. Pois bem, lembra quando você tinha 15 anos e ficava bagunçando com seus amigos em todo lugar que você ia? Você não era um babaca 100% do tempo, mas quando se juntava com a turminha...
Nada mais desagradável que pegar um ônibus com uma turma de adolescentes no auge da bagunça coletiva. Meninos querendo se mostrar, meninas aprendendo o quão alto pode chegar o volume de sua voz. Uma maravilha. Ainda por cima alguém teve a genial idéia de inventar celulares com capacidade musical, e, pior ainda, capacidade de reprodução musical sem necessidade de fone de ouvido.
Logo é muito comum nos ônibus do fim-de-semana passar por situaçoes com esses grupos. Com o tempo você aprende a abstrair e mal lembra que tem gente bagunçando no ônibus.
Foi aí que, voltando de mais um sábado animado peguei um ônibus a noite com um grupo de rapazes que também tiveram uma tarde bastante animada. O rolê já começou errado com todos eles subindo pela porta traseira sem pagar passagem. Ficaram lá no fundo fazendo uma algazarra, depois pararam.
Aí de repente começou uma movimentação denovo. Um dos rapazes se aproximou do cobrador e começou a puxar um papo sem sentido de caminhos alternativos. Meia hora depois descobri por que.
A natureza chamou pra um deles. Chamou forte. No mais poderoso e impossível de combater quando o ataque é certeiro: dor de barriga. Sim amigos.
O cara conversava com o cobrador para desviar a atenção de uma cena bizarra que se passava lá no fundo: uns 5 caras fazendo uma barreira (box de banheiro) para o bonitão lá que abusou das fatias de filé miau no churras da tarde.(isso eu vi, mas na hora nada entendi)
Todos eles foram embora.
O motorista tinha certeza que havia algo estranho e parou pra checar.
Foi quando ele se virou para mim e disse: "Amigo, trabalho há 20 anos como motorista e nunca vi nada assim. O fdp teve a ousadia de fazer um número 2 dentro do ônibus. Você acredita numa coisa dessas? Cara, só no Jd Elba mesmo"
Choque.
As bizarrices da viagem continuaram. A casa do motorista ficava no meio do caminho e lá ele parou, pegou um balde e lavou o veículo. Enquanto o fazia, soltava piadas pra todo mundo. hehehehe
Terminou o serviço com uma frase emblemática
"Vamos perdoar, né? Quando a natureza chama, amigo, só te resta fazer merda mesmo porque é assim que se aduba a vida"
???????????????????????????????????????????????????
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH
Quando Deus criou o homem deixou um ensinamento muito claro: a natureza é mais poderosa que você, caro Adão. Uma grande verdade. Como combater aquele sono maldito, o estado alterado da bebida e extrapolando, um furacão, terremoto, tsunami? Não dá.
No entanto vou tratar aqui de um problema "interno" da natureza do ser humano.
Você já deve ter ouvido falar daquelas teorias das pessoas que assumem outra personalidade quando estão em grupo numeroso, uma personalidade coletiva, de multidão, de massa, ou apenas de grupo numeroso. Pois bem, lembra quando você tinha 15 anos e ficava bagunçando com seus amigos em todo lugar que você ia? Você não era um babaca 100% do tempo, mas quando se juntava com a turminha...
Nada mais desagradável que pegar um ônibus com uma turma de adolescentes no auge da bagunça coletiva. Meninos querendo se mostrar, meninas aprendendo o quão alto pode chegar o volume de sua voz. Uma maravilha. Ainda por cima alguém teve a genial idéia de inventar celulares com capacidade musical, e, pior ainda, capacidade de reprodução musical sem necessidade de fone de ouvido.
Logo é muito comum nos ônibus do fim-de-semana passar por situaçoes com esses grupos. Com o tempo você aprende a abstrair e mal lembra que tem gente bagunçando no ônibus.
Foi aí que, voltando de mais um sábado animado peguei um ônibus a noite com um grupo de rapazes que também tiveram uma tarde bastante animada. O rolê já começou errado com todos eles subindo pela porta traseira sem pagar passagem. Ficaram lá no fundo fazendo uma algazarra, depois pararam.
Aí de repente começou uma movimentação denovo. Um dos rapazes se aproximou do cobrador e começou a puxar um papo sem sentido de caminhos alternativos. Meia hora depois descobri por que.
A natureza chamou pra um deles. Chamou forte. No mais poderoso e impossível de combater quando o ataque é certeiro: dor de barriga. Sim amigos.
O cara conversava com o cobrador para desviar a atenção de uma cena bizarra que se passava lá no fundo: uns 5 caras fazendo uma barreira (box de banheiro) para o bonitão lá que abusou das fatias de filé miau no churras da tarde.(isso eu vi, mas na hora nada entendi)
Todos eles foram embora.
O motorista tinha certeza que havia algo estranho e parou pra checar.
Foi quando ele se virou para mim e disse: "Amigo, trabalho há 20 anos como motorista e nunca vi nada assim. O fdp teve a ousadia de fazer um número 2 dentro do ônibus. Você acredita numa coisa dessas? Cara, só no Jd Elba mesmo"
Choque.
As bizarrices da viagem continuaram. A casa do motorista ficava no meio do caminho e lá ele parou, pegou um balde e lavou o veículo. Enquanto o fazia, soltava piadas pra todo mundo. hehehehe
Terminou o serviço com uma frase emblemática
"Vamos perdoar, né? Quando a natureza chama, amigo, só te resta fazer merda mesmo porque é assim que se aduba a vida"
???????????????????????????????????????????????????
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Fúria Sobre Rodas - Final
Perseguição (entre no clima com a música)
Perseguir e destruir era o lema do motorista. Avistou sua vítima e foi para o ataque. Manja aquele momento em que você se imagina num carro de boi dentro do ônibus? foi essa a sensação quando o piloto arrancou em alta velocidade em busca de sua vingança, quase caí (e por que diabos eu estava em pé?)
O nóião foi esperto, entrou numa rua que seria contramão para o motorista. ah filhão, seria, 11 da noite? território sem lei. 2 quarteirões e uma "fina"no meliante. escapou por pouco e dobrou a esquina. Quando o motorista finalmente conseguiu dobrar a esquina também...cadê? O cara sumiu. seu truque no entanto foi descoberto, ele tentava inutilmente se camuflar numa árvore.
Olha a inteligência humana: motorista se fazendo de perdido foi indo na moralzinha, como um leão caçando zebras na savana. Quando chegou perto da árvore e brecou. O barulho dos freios fez o cara voltar a correr (que esperto, até o motorista engatar a primeira denovo conseguiu uma distância....mas foi em vão)
Amigo nóia, nessa hora de sua fuga sua última escolha deveria ser uma descida. Na descida o motorista o alcançou e o atingiu. Um barulho enorme de batida. ele foi atingido nos ombros e caiu rolando, ficou pra trás. Motorista freou e pasmem, arranjou sei lá de onde um pau, um cabo de vassoura.
Por mais que ele quisesse completar o serviço não tinha como. Embora os ferimentos não fossem graves o cara tava todo ensanguentado e desacordado.
O barulho despertou a vizinhança e em poucos segundos a cena estava repleta de zé povinhos.
Reflita comigo. O motorista deu meia-volta, achou o cara e o atropelou...que mundo é esse?
Gritaria, tumulto, chama a ambulância, chama a polícia. Ah, a polícia chegou rapidão. E aquele guardinha do guichê policial quando chegou e viu o motorista com um pau na mão olhando para um atropelado desacordado fez aquela cara de "Porra, quer me foder me beija!!".
Eu e os outros passageiros não saímos do ônibus. Só que aí começou o momento CSI. "Boa noite senhores, sou o coronel Tobias Aguiar (nome fictício), vou precisar da colaboração de vocês, podem me ajudar?" . Ah claro, por que não? "Vamos pra delegacia, prometo que tem cafezinho" (Ah vá!! vai ter donuts tbe?)
Mano, andei de camburão, mó da hora.
Foi curta a viagem.
E na delegacia relatei pra vocês o que relatei aqui. Fui um pouco mais breve claro.
Moral da história: Não usem drogas.
É, meus amigos. Cabulosamente inacreditável.
Perseguir e destruir era o lema do motorista. Avistou sua vítima e foi para o ataque. Manja aquele momento em que você se imagina num carro de boi dentro do ônibus? foi essa a sensação quando o piloto arrancou em alta velocidade em busca de sua vingança, quase caí (e por que diabos eu estava em pé?)
O nóião foi esperto, entrou numa rua que seria contramão para o motorista. ah filhão, seria, 11 da noite? território sem lei. 2 quarteirões e uma "fina"no meliante. escapou por pouco e dobrou a esquina. Quando o motorista finalmente conseguiu dobrar a esquina também...cadê? O cara sumiu. seu truque no entanto foi descoberto, ele tentava inutilmente se camuflar numa árvore.
Olha a inteligência humana: motorista se fazendo de perdido foi indo na moralzinha, como um leão caçando zebras na savana. Quando chegou perto da árvore e brecou. O barulho dos freios fez o cara voltar a correr (que esperto, até o motorista engatar a primeira denovo conseguiu uma distância....mas foi em vão)
Amigo nóia, nessa hora de sua fuga sua última escolha deveria ser uma descida. Na descida o motorista o alcançou e o atingiu. Um barulho enorme de batida. ele foi atingido nos ombros e caiu rolando, ficou pra trás. Motorista freou e pasmem, arranjou sei lá de onde um pau, um cabo de vassoura.
Por mais que ele quisesse completar o serviço não tinha como. Embora os ferimentos não fossem graves o cara tava todo ensanguentado e desacordado.
O barulho despertou a vizinhança e em poucos segundos a cena estava repleta de zé povinhos.
Reflita comigo. O motorista deu meia-volta, achou o cara e o atropelou...que mundo é esse?
Gritaria, tumulto, chama a ambulância, chama a polícia. Ah, a polícia chegou rapidão. E aquele guardinha do guichê policial quando chegou e viu o motorista com um pau na mão olhando para um atropelado desacordado fez aquela cara de "Porra, quer me foder me beija!!".
Eu e os outros passageiros não saímos do ônibus. Só que aí começou o momento CSI. "Boa noite senhores, sou o coronel Tobias Aguiar (nome fictício), vou precisar da colaboração de vocês, podem me ajudar?" . Ah claro, por que não? "Vamos pra delegacia, prometo que tem cafezinho" (Ah vá!! vai ter donuts tbe?)
Mano, andei de camburão, mó da hora.
Foi curta a viagem.
E na delegacia relatei pra vocês o que relatei aqui. Fui um pouco mais breve claro.
Moral da história: Não usem drogas.
É, meus amigos. Cabulosamente inacreditável.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Fúria Sobre Rodas - Parte 3
Nos capítulos anteriores:
Sábado a noite. 4 passageiros. Vândalo Nóia. Policial Relapso. Motorista em fúria.
O motorista fez retorno na pista e anunciou que iria atrás do meliante atirador de pedras.
Olha só, eu não tenho palavras pra descrever o quão bizarro era essa situação. Enquanto São Paulo caía na gandaia eu caía ZL adentro por ruas inimagináveis porque o motorista não queria deixar barato o vandalismo ao seu veículo. Era muito difícil processar o que estava acontecendo e não deu tempo de formar opinião sobre isso no momento.
Fomos os quatro passageiros conversar com a cobradora para, sei lá, achar que adiantaria alguma coisa. Ela explicou que os ônibus daquela linha não são de uma empresa, os motoristas são os donos dos veículos e tal, todo um rolo. Ainda assim, era muita irresponsabilidade o que ele estava fazendo.
Turismo noturno. Moro aqui desde que nasci, já se vai mais de um quarto de século e nunca tinha visto aquelas ruas, aquele bairro, aquelas estruturas, a falta de iluminação, era chocante. Estávamos muito putos, mas ouviu-se uma voz:
- Motorista, ele está ali!!!
(Sério, me permitam o instante de digressão: QUE PORRA É ESSA???? O Passageiro querendo ver o coro comer? "Ele tá ali". Meo Deus, quanta lambança em sequencia)
E lá estava o Macunaíma wanna be. Com outra pedra na mão, em outro ponto de ônibus, prestes a emputecer mais um motorista. Contudo, porém, entretanto, no entanto o motorista (do meu ônibus) como se fosse um daqueles guerreiros da Batalha da Terra Média anunciou sua chegada aos sete ventos:
- SEU CONCEBIDO POR UMA FOMENTADORA DA LUXÚRIA, VOCÊ ESTÁ FORNICADO AGORA!!! (Forcei né? perdão)
Amigos, naquele momento deve ter subido tanta adrenalina no vândalo nóia que todo o efeito entorpecente dele passou. Ele ficou branco. Sabe quando vc está com as mão ao alto e a pedra cai com a moleza instantânea do seu corpo que será seguido por uma sensação de pavor? Pois é. ainda assim ele recobrou os sentidos e saiu correndo.
Agora sim molecada, prepara a trilha sonora de filme ação que vai começar a caçada...
Continua
Sábado a noite. 4 passageiros. Vândalo Nóia. Policial Relapso. Motorista em fúria.
O motorista fez retorno na pista e anunciou que iria atrás do meliante atirador de pedras.
Olha só, eu não tenho palavras pra descrever o quão bizarro era essa situação. Enquanto São Paulo caía na gandaia eu caía ZL adentro por ruas inimagináveis porque o motorista não queria deixar barato o vandalismo ao seu veículo. Era muito difícil processar o que estava acontecendo e não deu tempo de formar opinião sobre isso no momento.
Fomos os quatro passageiros conversar com a cobradora para, sei lá, achar que adiantaria alguma coisa. Ela explicou que os ônibus daquela linha não são de uma empresa, os motoristas são os donos dos veículos e tal, todo um rolo. Ainda assim, era muita irresponsabilidade o que ele estava fazendo.
Turismo noturno. Moro aqui desde que nasci, já se vai mais de um quarto de século e nunca tinha visto aquelas ruas, aquele bairro, aquelas estruturas, a falta de iluminação, era chocante. Estávamos muito putos, mas ouviu-se uma voz:
- Motorista, ele está ali!!!
(Sério, me permitam o instante de digressão: QUE PORRA É ESSA???? O Passageiro querendo ver o coro comer? "Ele tá ali". Meo Deus, quanta lambança em sequencia)
E lá estava o Macunaíma wanna be. Com outra pedra na mão, em outro ponto de ônibus, prestes a emputecer mais um motorista. Contudo, porém, entretanto, no entanto o motorista (do meu ônibus) como se fosse um daqueles guerreiros da Batalha da Terra Média anunciou sua chegada aos sete ventos:
- SEU CONCEBIDO POR UMA FOMENTADORA DA LUXÚRIA, VOCÊ ESTÁ FORNICADO AGORA!!! (Forcei né? perdão)
Amigos, naquele momento deve ter subido tanta adrenalina no vândalo nóia que todo o efeito entorpecente dele passou. Ele ficou branco. Sabe quando vc está com as mão ao alto e a pedra cai com a moleza instantânea do seu corpo que será seguido por uma sensação de pavor? Pois é. ainda assim ele recobrou os sentidos e saiu correndo.
Agora sim molecada, prepara a trilha sonora de filme ação que vai começar a caçada...
Continua
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Fúria Sobre Rodas - Parte 2
Previously on Fúria Sobre Rodas...
Sábado 11 da noite. 4 Passageiros. Uma tijolada na janela. Um meliante no mais puro grau de alteração entorpecente da mente. Um motorista puto. A esperança de um guichê policial.
E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. Nem 5 minutos rodados e lá estava o tal guichê policial. Tinha 2 viaturas, algumas motos e um policial de prontidão. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 5 minutos de conversa: onde foi? como é o cara? deixa ver esse vidro? Ok motorista, pode tocar viagem que agora fica com a gente, na volta o senhor pára aqui denovo e nós te informamos o que conseguimos fazer, leva os passageiros primeiro para o destino deles...
Da hora né? ABRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÇA. Não aconteceu nada disso...
Recapitulando
E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 10 minutos depois começa uma discussão acalorada: dedo do policial na cara do motorista, dedo do motorista na cara do policial, quando eles estavam quase saindo no tapa chegaram outros policiais que deveriam estar num bar próximo e acabaram com a confusão.
Aí você deve estar se perguntando, qual o motivo dessa confusão? Eu te digo: o motorista pediu ajuda e o policial simplesmente disse "Não posso fazer nada, como eu vou achar esse cara? ele já deve estar anos luz daqui, toca essa viagem aí motorista, vai ter que assumir o prejuízo".
Amigo, tem coisa mais frustrante que pedir ajuda a uma autoridade e receber esse tipo de resposta? Pois frustração foi pouco. O motorista voltou pro ônibus, ligou o motor e começou a prosseguir a viagem...
Só que ao invés de prosseguir o caminho ele fez retorno na pista. Nós passageiros olhamos um para a cara do outro com a mesma dúvida e em todas as caras encontramos a mesma resposta, que na verdade veio do próprio motorista, que berrava sua fúria:
- Moçada, dá uma segurada ae, sei que vocês tão com pressa, mas eu não posso arcar com esse prejú não. Só um minuto que eu vou achar esse "concebido por uma fomentadora da luxúria"
SIM, MEUS AMIGOS, O MOTORISTA SAIU DA ROTA PARA IR ATRÁS DO VÂNDALO NÓIA que tinha saído correndo sei lá pra onde nos meandros e caminhos tortuosos da Vila Alpina.
continua...
Sábado 11 da noite. 4 Passageiros. Uma tijolada na janela. Um meliante no mais puro grau de alteração entorpecente da mente. Um motorista puto. A esperança de um guichê policial.
E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. Nem 5 minutos rodados e lá estava o tal guichê policial. Tinha 2 viaturas, algumas motos e um policial de prontidão. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 5 minutos de conversa: onde foi? como é o cara? deixa ver esse vidro? Ok motorista, pode tocar viagem que agora fica com a gente, na volta o senhor pára aqui denovo e nós te informamos o que conseguimos fazer, leva os passageiros primeiro para o destino deles...
Da hora né? ABRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÇA. Não aconteceu nada disso...
Recapitulando
E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 10 minutos depois começa uma discussão acalorada: dedo do policial na cara do motorista, dedo do motorista na cara do policial, quando eles estavam quase saindo no tapa chegaram outros policiais que deveriam estar num bar próximo e acabaram com a confusão.
Aí você deve estar se perguntando, qual o motivo dessa confusão? Eu te digo: o motorista pediu ajuda e o policial simplesmente disse "Não posso fazer nada, como eu vou achar esse cara? ele já deve estar anos luz daqui, toca essa viagem aí motorista, vai ter que assumir o prejuízo".
Amigo, tem coisa mais frustrante que pedir ajuda a uma autoridade e receber esse tipo de resposta? Pois frustração foi pouco. O motorista voltou pro ônibus, ligou o motor e começou a prosseguir a viagem...
Só que ao invés de prosseguir o caminho ele fez retorno na pista. Nós passageiros olhamos um para a cara do outro com a mesma dúvida e em todas as caras encontramos a mesma resposta, que na verdade veio do próprio motorista, que berrava sua fúria:
- Moçada, dá uma segurada ae, sei que vocês tão com pressa, mas eu não posso arcar com esse prejú não. Só um minuto que eu vou achar esse "concebido por uma fomentadora da luxúria"
SIM, MEUS AMIGOS, O MOTORISTA SAIU DA ROTA PARA IR ATRÁS DO VÂNDALO NÓIA que tinha saído correndo sei lá pra onde nos meandros e caminhos tortuosos da Vila Alpina.
continua...
domingo, 20 de novembro de 2011
Fúria Sobre Rodas - Parte 1
Amigos, me perdoem, eu esqueci que eu tinha esse blog. No entanto, para compensar vocês vou parar com enrolação e vou contar a mais cabulosa das histórias que vivi em todos esses anos viajando de ônibus pela ZL. Foi por causa dessa históra que eu resolvi registrar essas histórias. Foi por causa dessa história que eu percebi que eu vivi situações únicas nessas veredas. Foi por causa dessa história que todos os filmes de ação do tipo "Carga Explosiva", "Duro de Matar", "Missão Impossível", que eu sempre achei forçadíssimos agora fazem todo o sentido real para mim. SIM.
Ainda não decidi quantos capítulos teremos nessa novela, assim como na Globo, isso vai depender da audiência. Queria também, nessa introdução, homenagear os irmãos Sandra e Eduardo Mancini porque era para o aniversário deles que eu estava tentando ir, e ao invés da balada curti umas horas na delegacia (isso não é um spoiler). Pois bem,
Sábado a noite.
Cumpri todo aquele ritual john Travolta antes dos embalos de sábado a noite: banhinho, faz a barba, perfuminho, roupa de balada, chiclete, RG, cartão, dinheiro...bora pro ponto...23:00 PM. Lá vou eu atravessar a cidade em busca da gandaia. Já discorri acerca de ônibus às 11 da noite do sábado em algum outro post.
Parecia ser uma viagem normal, eu e mais 4 gatos pingados o motorista e a cobradora (chata bagarái).
Tava lá curtindo uma viagem, aquele marasmo me convidou pra uma soneca zzzzzzzzzzzzzzzz.....
POWWWWWWWWW
Acordei de sobressalto com algo batendo violentamente no ônibus. Era uma pedra, um tijolão de concreto...
Como os outros passageiros correram para a janela, assim também o fiz e avistei o arremessador, um sujeito em tal grau de alteração entorpecente da mente que eu não sei como ele conseguiu segurar sua munição. Ele estava esbravejando contra Deus, o mundo e claro, o motorista que se recusava a transportá-lo. O motorista desligou o ônibus e o meliante saiu correndo.
Ossada, eu tinha que pegar mais um ônibus depois da primeira viagem e fiquei com medo dessa situação me atrasar. Papo vai, papo vem, vidro quebrado, "o que se pode fazer"... aí um dos passageiros informou que havia um guichê policial um pouco adiante.
Então o motorista voltou para prosseguir viagem e encontrar o tal guichê.
Continua....
Ainda não decidi quantos capítulos teremos nessa novela, assim como na Globo, isso vai depender da audiência. Queria também, nessa introdução, homenagear os irmãos Sandra e Eduardo Mancini porque era para o aniversário deles que eu estava tentando ir, e ao invés da balada curti umas horas na delegacia (isso não é um spoiler). Pois bem,
Sábado a noite.
Cumpri todo aquele ritual john Travolta antes dos embalos de sábado a noite: banhinho, faz a barba, perfuminho, roupa de balada, chiclete, RG, cartão, dinheiro...bora pro ponto...23:00 PM. Lá vou eu atravessar a cidade em busca da gandaia. Já discorri acerca de ônibus às 11 da noite do sábado em algum outro post.
Parecia ser uma viagem normal, eu e mais 4 gatos pingados o motorista e a cobradora (chata bagarái).
Tava lá curtindo uma viagem, aquele marasmo me convidou pra uma soneca zzzzzzzzzzzzzzzz.....
POWWWWWWWWW
Acordei de sobressalto com algo batendo violentamente no ônibus. Era uma pedra, um tijolão de concreto...
Como os outros passageiros correram para a janela, assim também o fiz e avistei o arremessador, um sujeito em tal grau de alteração entorpecente da mente que eu não sei como ele conseguiu segurar sua munição. Ele estava esbravejando contra Deus, o mundo e claro, o motorista que se recusava a transportá-lo. O motorista desligou o ônibus e o meliante saiu correndo.
Ossada, eu tinha que pegar mais um ônibus depois da primeira viagem e fiquei com medo dessa situação me atrasar. Papo vai, papo vem, vidro quebrado, "o que se pode fazer"... aí um dos passageiros informou que havia um guichê policial um pouco adiante.
Então o motorista voltou para prosseguir viagem e encontrar o tal guichê.
Continua....
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