quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quando a Natureza Chama

Amigos viajantes,

Quando Deus criou o homem deixou um ensinamento muito claro: a natureza é mais poderosa que você, caro Adão. Uma grande verdade. Como combater aquele sono maldito, o estado alterado da bebida e extrapolando, um furacão, terremoto, tsunami? Não dá.

No entanto vou tratar aqui de um problema "interno" da natureza do ser humano.

Você já deve ter ouvido falar daquelas teorias das pessoas que assumem outra personalidade quando estão em grupo numeroso, uma personalidade coletiva, de multidão, de massa, ou apenas de grupo numeroso. Pois bem, lembra quando você tinha 15 anos e ficava bagunçando com seus amigos em todo lugar que você ia? Você não era um babaca 100% do tempo, mas quando se juntava com a turminha...

Nada mais desagradável que pegar um ônibus com uma turma de adolescentes no auge da bagunça coletiva. Meninos querendo se mostrar, meninas aprendendo o quão alto pode chegar o volume de sua voz. Uma maravilha. Ainda por cima alguém teve a genial idéia de inventar celulares com capacidade musical, e, pior ainda, capacidade de reprodução musical sem necessidade de fone de ouvido.

Logo é muito comum nos ônibus do fim-de-semana passar por situaçoes com esses grupos. Com o tempo você aprende a abstrair e mal lembra que tem gente bagunçando no ônibus.

Foi aí que, voltando de mais um sábado animado peguei um ônibus a noite com um grupo de rapazes que também tiveram uma tarde bastante animada. O rolê já começou errado com todos eles subindo pela porta traseira sem pagar passagem. Ficaram lá no fundo fazendo uma algazarra, depois pararam.

Aí de repente começou uma movimentação denovo. Um dos rapazes se aproximou do cobrador e começou a puxar um papo sem sentido de caminhos alternativos. Meia hora depois descobri por que.

A natureza chamou pra um deles. Chamou forte. No mais poderoso e impossível de combater quando o ataque é certeiro: dor de barriga. Sim amigos.

O cara conversava com o cobrador para desviar a atenção de uma cena bizarra que se passava lá no fundo: uns 5 caras fazendo uma barreira (box de banheiro) para o bonitão lá que abusou das fatias de filé miau no churras da tarde.(isso eu vi, mas na hora nada entendi)

Todos eles foram embora.

O motorista tinha certeza que havia algo estranho e parou pra checar.

Foi quando ele se virou para mim e disse: "Amigo, trabalho há 20 anos como motorista e nunca vi nada assim. O fdp teve a ousadia de fazer um número 2 dentro do ônibus. Você acredita numa coisa dessas? Cara, só no Jd Elba mesmo"

Choque.

As bizarrices da viagem continuaram. A casa do motorista ficava no meio do caminho e lá ele parou, pegou um balde e lavou o veículo. Enquanto o fazia, soltava piadas pra todo mundo. hehehehe

Terminou o serviço com uma frase emblemática

"Vamos perdoar, né? Quando a natureza chama, amigo, só te resta fazer merda mesmo porque é assim que se aduba a vida"

???????????????????????????????????????????????????

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAH

domingo, 27 de novembro de 2011

Fúria Sobre Rodas - Final

Perseguição (entre no clima com a música)

Perseguir e destruir era o lema do motorista. Avistou sua vítima e foi para o ataque. Manja aquele momento em que você se imagina num carro de boi dentro do ônibus? foi essa a sensação quando o piloto arrancou em alta velocidade em busca de sua vingança, quase caí (e por que diabos eu estava em pé?)

O nóião foi esperto, entrou numa rua que seria contramão para o motorista. ah filhão, seria, 11 da noite? território sem lei. 2 quarteirões e uma "fina"no meliante. escapou por pouco e dobrou a esquina. Quando o motorista finalmente conseguiu dobrar a esquina também...cadê? O cara sumiu. seu truque no entanto foi descoberto, ele tentava inutilmente se camuflar numa árvore.

Olha a inteligência humana: motorista se fazendo de perdido foi indo na moralzinha, como um leão caçando zebras na savana. Quando chegou perto da árvore e brecou. O barulho dos freios fez o cara voltar a correr (que esperto, até o motorista engatar a primeira denovo conseguiu uma distância....mas foi em vão)

Amigo nóia, nessa hora de sua fuga sua última escolha deveria ser uma descida. Na descida o motorista o alcançou e o atingiu. Um barulho enorme de batida. ele foi atingido nos ombros e caiu rolando, ficou pra trás.  Motorista freou e pasmem, arranjou sei lá de onde um pau, um cabo de vassoura.

Por mais que ele quisesse completar o serviço não tinha como. Embora os ferimentos não fossem graves o cara tava todo ensanguentado e desacordado.

O barulho despertou a vizinhança e em poucos segundos a cena estava repleta de zé povinhos.

Reflita comigo. O motorista deu meia-volta, achou o cara e o atropelou...que mundo é esse?

Gritaria, tumulto, chama a ambulância, chama a polícia. Ah, a polícia chegou rapidão. E aquele guardinha do guichê policial quando chegou e viu o motorista com um pau na mão olhando para um atropelado desacordado fez aquela cara de "Porra, quer me foder me beija!!".

Eu e os outros passageiros não saímos do ônibus. Só que aí começou o momento CSI. "Boa noite senhores, sou o coronel Tobias Aguiar (nome fictício), vou precisar da colaboração de vocês, podem me ajudar?" . Ah claro, por que não? "Vamos pra delegacia, prometo que tem cafezinho" (Ah vá!! vai ter donuts tbe?)

Mano, andei de camburão, mó da hora.

Foi curta a viagem.

E na delegacia relatei pra vocês o que relatei aqui. Fui um pouco mais breve claro.

Moral da história: Não usem drogas.

É, meus amigos. Cabulosamente inacreditável.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Fúria Sobre Rodas - Parte 3

Nos capítulos anteriores:

Sábado a noite. 4 passageiros. Vândalo Nóia. Policial Relapso. Motorista em fúria.

O motorista fez retorno na pista e anunciou que iria atrás do meliante atirador de pedras.

Olha só, eu não tenho palavras pra descrever o quão bizarro era essa situação. Enquanto São Paulo caía na gandaia eu caía ZL adentro por ruas inimagináveis porque o motorista não queria deixar barato o vandalismo ao seu veículo. Era muito difícil processar o que estava acontecendo e não deu tempo de formar opinião sobre isso no momento.

Fomos os quatro passageiros conversar com a cobradora para, sei lá, achar que adiantaria alguma coisa. Ela explicou que os ônibus daquela linha não são de uma empresa, os motoristas são os donos dos veículos e tal, todo um rolo. Ainda assim, era muita irresponsabilidade o que ele estava fazendo.

Turismo noturno. Moro aqui desde que nasci, já se vai mais de um quarto de século e nunca tinha visto aquelas ruas, aquele bairro, aquelas estruturas, a falta de iluminação, era chocante. Estávamos muito putos, mas ouviu-se uma voz:

- Motorista, ele está ali!!!

(Sério, me permitam o instante de digressão: QUE PORRA É ESSA???? O Passageiro querendo ver o coro comer? "Ele tá ali". Meo Deus, quanta lambança em sequencia)

E lá estava o Macunaíma wanna be. Com outra pedra na mão, em outro ponto de ônibus, prestes a emputecer mais um motorista. Contudo, porém, entretanto, no entanto o motorista (do meu ônibus) como se fosse um daqueles guerreiros da Batalha da Terra Média anunciou sua chegada aos sete ventos:

- SEU CONCEBIDO POR UMA FOMENTADORA DA LUXÚRIA, VOCÊ ESTÁ FORNICADO AGORA!!! (Forcei né? perdão)

Amigos, naquele momento deve ter subido tanta adrenalina no vândalo nóia que todo o efeito entorpecente dele passou. Ele ficou branco. Sabe quando vc está com as mão ao alto e a pedra cai com a moleza instantânea do seu corpo que será seguido por uma sensação de pavor? Pois é. ainda assim ele recobrou os sentidos e saiu correndo.

Agora sim molecada, prepara a trilha sonora de filme ação que vai começar a caçada...



Continua

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Fúria Sobre Rodas - Parte 2

Previously on Fúria Sobre Rodas...

Sábado 11 da noite. 4 Passageiros. Uma tijolada na janela. Um meliante no mais puro grau de alteração entorpecente da mente. Um motorista puto. A esperança de um guichê policial.

E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. Nem 5 minutos rodados e lá estava o tal guichê policial. Tinha 2 viaturas, algumas motos e um policial de prontidão. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 5 minutos de conversa: onde foi? como é o cara? deixa ver esse vidro? Ok motorista, pode tocar viagem que agora fica com a gente, na volta o senhor pára aqui denovo e nós te informamos o que conseguimos fazer, leva os passageiros primeiro para o destino deles...

Da hora né? ABRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAÇA. Não aconteceu nada disso...

Recapitulando

E lá vai o motorista em busca do auxílio da instituição responsável pela Segurança da cidade. O motorista parou o ônibus mais uma vez e foi conversar com o policial. 10 minutos depois começa uma discussão acalorada: dedo do policial na cara do motorista, dedo do motorista na cara do policial, quando eles estavam quase saindo no tapa chegaram outros policiais que deveriam estar num bar próximo e acabaram com a confusão.

Aí você deve estar se perguntando, qual o motivo dessa confusão? Eu te digo: o motorista pediu ajuda e o policial simplesmente disse "Não posso fazer nada, como eu vou achar esse cara? ele já deve estar anos luz daqui, toca essa viagem aí motorista, vai ter que assumir o prejuízo".

Amigo, tem coisa mais frustrante que pedir ajuda a uma autoridade e receber esse tipo de resposta? Pois frustração foi pouco. O motorista voltou pro ônibus, ligou o motor e começou a prosseguir a viagem...

Só que ao invés de prosseguir o caminho ele fez retorno na pista. Nós passageiros olhamos um para a cara do outro com a mesma dúvida e em todas as caras encontramos a mesma resposta, que na verdade veio do próprio motorista, que berrava sua fúria:

- Moçada, dá uma segurada ae, sei que vocês tão com pressa, mas eu não posso arcar com esse prejú não. Só um minuto que eu vou achar esse "concebido por uma fomentadora da luxúria"

SIM, MEUS AMIGOS, O MOTORISTA SAIU DA ROTA PARA IR ATRÁS DO VÂNDALO NÓIA  que tinha saído correndo sei lá pra onde nos meandros e caminhos tortuosos da Vila Alpina.

continua...

domingo, 20 de novembro de 2011

Fúria Sobre Rodas - Parte 1

Amigos, me perdoem, eu esqueci que eu tinha esse blog. No entanto, para compensar vocês vou parar com enrolação e vou contar a mais cabulosa das histórias que vivi em todos esses anos viajando de ônibus pela ZL. Foi por causa dessa históra que eu resolvi registrar essas histórias. Foi por causa dessa história que eu percebi que eu vivi situações únicas nessas veredas. Foi por causa dessa história que todos os filmes de ação do tipo "Carga Explosiva", "Duro de Matar", "Missão Impossível", que eu sempre achei forçadíssimos agora fazem todo o sentido real para mim. SIM.

Ainda não decidi quantos capítulos teremos nessa novela, assim como na Globo, isso vai depender da audiência. Queria também, nessa introdução, homenagear os irmãos Sandra e Eduardo Mancini porque era para o aniversário deles que eu estava tentando ir, e ao invés da balada curti umas horas na delegacia (isso não é um spoiler). Pois bem,

Sábado a noite.

Cumpri todo aquele ritual john Travolta antes dos embalos de sábado a noite: banhinho, faz a barba, perfuminho, roupa de balada, chiclete, RG, cartão, dinheiro...bora pro ponto...23:00 PM. Lá vou eu atravessar a cidade em busca da gandaia. Já discorri acerca de ônibus às 11 da noite do sábado em algum outro post.

Parecia ser uma viagem normal, eu e mais 4 gatos pingados o motorista e a cobradora (chata bagarái).

Tava lá curtindo uma viagem, aquele marasmo me convidou pra uma soneca zzzzzzzzzzzzzzzz.....

POWWWWWWWWW

Acordei de sobressalto com algo batendo violentamente no ônibus. Era uma pedra, um tijolão de concreto...

Como os outros passageiros correram para a janela, assim também o fiz e avistei o arremessador, um sujeito em tal grau de alteração entorpecente da mente que eu não sei como ele conseguiu segurar sua munição. Ele estava esbravejando contra Deus, o mundo e claro, o motorista que se recusava a transportá-lo. O motorista desligou o ônibus e o meliante saiu correndo.

Ossada, eu tinha que pegar mais um ônibus depois da primeira viagem e fiquei com medo dessa situação me atrasar. Papo vai, papo vem, vidro quebrado, "o que se pode fazer"... aí um dos passageiros informou que havia um guichê policial um pouco adiante.

Então o motorista voltou para prosseguir viagem e encontrar o tal guichê.

Continua....

domingo, 9 de outubro de 2011

Quermesse

Como vocês sabem, meus amigos, sou nascido e criado na zona Leste de São Paulo e antes de conhecer as pessoas ricas dessa cidade, eu obviamente fazia os rolês ZL. Hoje vou falar de um deles: A Quermesse. Sou do tempo em que a Quermesse era um grande evento de paquera no meu bairro (releva aí, gente, eu tinha uns 13 anos).

Considere que existem níveis de badalação das quermesses, aquelas megalotadas, cheias de atrações pirotécnicas e a quermesse mais família, com pescaria de brindes, fogazza e caldo verde. E aí que, e algumas mega quermesses da ZL viraram grandes picos de violência: brigas, tumultos, arrastão e aí que a gente chega nessas veredas do busão.

Quermesse é um evento religioso, que termina pontualmente as 22h. Acabado o rolê, voltam todos para casa, de ônibus (se for uma quermesse mega badalada e cheia de gente). Aí então você imagina o momento em que o ônibus que viajava tranquilão pelo sábado a noite, de repente pára  num ponto e lota da galera voltando mais ou menos bêbada da festinha de São João.

Gritaria da galerinha adolescente no Busão, gente causando, cantando, batendo nas coisas do ônibus. 

Aí começam as situações bizarras.

Polícia parando o ônibus e pedindo para todos os homens saírem e serem revistados.

Motorista parando o ônibus e dizendo que não vai prosseguir viagem enquanto os causadores não se retirarem.

Velhinhas sendo desrespeitadas e causando mais tumulto.

Pois é, aí os motoristas passaram a boicotar o ponto da quermesse. Passavam reto sem dó para a ira daquelas pessoas. E numa dessas iras os passageiros boicotados armaram uma arapuca. O ônibus não parou no ponto, mas teve a inteligência de parar num semáfaro próximo. Sem brincadeira, olhei para a janela traseira e avistei 3 caras correndo com um tronco gigantesco de madeira em direção ao ônibus. POW. O vidro ficou todo estilhaçado, mas ainda grudado, podendo explodir a qualquer momento. As pessoas que estavam proximas foram retiradas dali e não outra, na primeira freada após prosseguir viagem a janela se tornou cacos de vidro espalhados por todas as partes. Felizmente ninguém se machucou.

Esse episódio deu origem a uma situação ainda mais bizarra. Quarteirões antes de chegar na rua da quermesse o motorista começou a trocar o letreiro do ônibus e o número da linha. Aí, passava pelo ponto da quermesse com relativa tranquilidade. Ainda assim teve uma vez que ele passou pelo ponto com o letreiro trocado e uma pessoa veio perguntar: "Ei motorista, esse não é ônibus tal não?". 

É amigos, tão bizarro que chegou o momento em que a secretaria de segurança pública cancelou todas as quermesses da região. Com o passar dos anos elas voltaram, mas agora são todas "quermesses de família"






domingo, 25 de setembro de 2011

O Biro-Biro Violeiro

"Se alguém perguntar por mim,
diz que eu fui por aí
levando um violão debaixo braaaaço"

E ele apareceu no busão com seu violão. Trazia também uma gaita e uma voz grave e bonita. Era um tipo caucasiano, com cabelos louros encaracolados, um aspirante a Biro-Biro, mas que dava um tapa na rabiola (cortar o cabelo, caso vc não fale o dialeto).

A primeira vez que eu vi esse cara no ônibus quis aplaudí-lo de pé. Eu não falava inglês então achava as versões dele maravilhosas. Com o tempo descobri todo o engambelation. Ainda assim não deixa de ser encantador o esforço dele em apresentar um bom número musical. Percebe-se que, mesmo surrado, aquele é um bom violão, de qualidade, talvez o instrumento do auge de sua carreira musical.

"Em qualquer esquina eu paro em qualquer botequim
Eu entro e se houver motivo é mais um samba que faço"

Ele não toca sambas mas com certeza entra em botequins. Meu primo disse que uma vez ele e os amigos encontraram-no numa viagem e o chamaram pro bar.

"Se quiseres saber se eu volto diga que sim, mas só depois que a saudade se afastar de mim"

Uma vez tomei um pé-na-bunda e voltando triste pra casa encontrei o Biro-Biro violeiro. E naquela tristeza do coração partido fui obrigado a ouvir "Love Hurts" do Nazareth...(HAHAHAHA) Tudo errado.

"Tenho um vilão para me acompanhar, tenho muitos amigos eu sou popular
Tenho a madrugada como companheira"

Era madrugada no busão, quase 1 da manhã. Eu e mais três gatos pingados sem sorte na vida naquele momento ouvindo cantos tristes no ônibus. Foi aí que um passageiro resolveu interagir: "Qual que é a sua meu irmão, sábado é dia de balada, você vai me fazer dormir aqui". Aí o Biro-Biro parou, pensou e convidou nós três e o cobrador para chegarmos mais perto dele. Como eu já tava perto, nem me mexi. O violeiro então puxou um clássico da breguisse nacional "Garçom".

Eu ali na minha melancolia realçada por Love Hurts de repente me vi num momento de euforia cantando com desconhecidos. Depois de garçom embalamos "O Passageiro" (Capital Inicial), "Infinita Highway"(Engenheiros do Hawaii) e, pasmem, "Highway to hell" (AC/DC).

O Biro-Biro foi embora.

"A saudade me doi, o meu peito me rói
Eu estou na cidade, eu estou na favela
Eu estou por aí
Sempre pensando nela"

Saí da cidade, passei pela favela, cheguei em casa pensando nela. Pensei nelas, foram algumas já nessa breve vida. Ainda assim, tudo isso faz parte né? Como diz a letra a gente se permite isso até a saudade se afastar de vez.

Eu queria terminar com um final feliz, mas dia desses vi o Biro-biro com seu violão debaixo do braço tentando entrar no ônibus e sendo negado. 5 anos depois e ele ainda tá nessa. Por isso torço para que ele, que tem um dom musical tão bonito, consiga sair da infinita highway do ostracismo. Espero que na próxima vez que eu encontrá-lo, ele esteja num bar (como artista, não como bêbado) tendo mil motivos pra fazer um samba...

sábado, 17 de setembro de 2011

Embolada

Eu me emociono com essas coisas, amigos.



Nota: achei no youtube. Não fui eu quem filmei, mas já os vi.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Showmício

Caros amigos, vocês lembram do El Mago?

Pois é, depois de ter desaparatado de maneira cabulosamente inexplicável aquele dia, voltou a aparecer para alegrar as minhas viagens. E dessa vez ele voltou ainda mais criativo, agora ele era um político em campanha. Uma campanha esquisita se você levar em consideração sua apresentação:

"Boa noite a todos, hoje estou aqui em nome das Lojas Marabalas e das Casas Balinha, mas antes de vocês conferirem minhas promoções imperdíveis, devo dizer que estou em camapanha política, meus amigos, minha venda servirá para vocês me apoiarem na candidatura de  'Representante Internacional contra a exploração da Mais Valia corporativa" (algo assim)

PÁRA TUDO. Como assim um vendedor de balas em nome das lojas fantasiosas supracitadas me aparece apresentando um conceito marxista complexo para vender balas no ônibus? Cara, que papo de doido. Não tenho saco, então se você não sabe o que é Mais Valia pergunte ao oráculo.

Então nosso amigo vendedor começou uma intrigante história na qual ele envolvia Hugo Chavez (chaveiro chavez), Lula (Lula Moslusco) e George W. Bush, filho de Geoge Bush (Juninho). E, meus amigos, era um discurso admirável, lógico e acessível tão impressionante que ele fazia relação dos ataques de 11 de setembro com expeculação imobiliária, defesa das fronteiras amazônicas, políticas de crédito e corrupção. Fiquei boquiaberto, processando aquelas informações e me sentindo um completo babaca por estudar na maior universidade do país e não fazer disso uma oportunidade de retribuir a sociedade. Um vendedor de balas no ônibus faz mais que eu...

Olha a genialidade. Existe uma certa concorrência nesses serviços informais vendidos no ônibus e uma delas é a intervenção de músicos, que se apresentam na esperança de um troco. Enquanto o Marabalas discursava entrou um músico com seu violão. Esse músico um dia vai merecer sua história, pois é um grande personagem, mas por hora saibam que ele é um exímio violonista-gaitista-vocalista-backingvocal, que manda tão bem no embromation, que arranca aplausos...e moedas, claro.

Voltando a genialidade. Quando o vendedor viu o músico, gritou: "Mas claro que meu discurso não é em vão, para conseguir mais um pouco da atenção de vocês aqui está o meu amigo, estrela do meu SHOWMÍCIO". ao ouvir showmício o ônibus entrou na gargalhada.

Lembro vagamente que era uma daquelas viagens suplício, com chuva lá fora, janelas fechadas, ambiente abafado, trânsito e tudo aquilo me deixou bastante reflexivo. E com aquele vendedor de balas que um dia foi mago e naquele dia era político aprendi que não importa o quão ferrado vc esteja na sua vida, isso não deve te impedir de acrescentar na vida dos outros, nem que seja uma risada, nem que seja uma reflexão política, nem que seja uma música embromada...

Naquele dia ele disse uma frase clichê, mas que dado o momento ficou ecoando na cabeça para sempre: "quem quer, faz, quem não quer dá desculpas."

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Chorou Parou - Parte II

Leia a parte I antes de começar esta história. É o post anterior.

MANOS, O COBRADOR ABANDONOU O ÔNIBUS, PARA SEMPRE!!!

E o ônibus estava tão cheio que demorou uns 15min para o motorista dar falta de seu companheiro de trabalho. Provavelmente ele só percebeu por causa do burburinho, da reação de incredulidade de todos ali presentes. Só que quando ele  percebeu, teve que estacionar o ônibus.

Puxa vida, 7h30 da manhã, maior trânsito, ônibus cheio, possibilidade de se atrasar enorme...a melhor coisa que podia acontecer era o ônibus parar.

O motorista desceu, os passageiros desceram e começou a discussão com o motorista que alegava que não podia prosseguir sem um cobrador (não faltou gente pedindo para substituí-lo). Enquanto isso, outros ônibus da mesma linha iam passando pelo local, um mais lotado que o outro, e ficando abarrotado quando pegavam os passageiros do ônibus problemático.

Eu tentei pegar um desses, mas não dava, não sou ninja.

E olhem como a vida é engraçada, quando sobraram uns 10 passageiros o motorista decidiu q ia prosseguir a viagem até o metro mais próximo. E todos que estavam ali embarcaram num ônibus vazio e que não faria mais paradas.

Acabou que eu ia chegar mais rápido no meu destino e o veículo em que eu estava ultrapassou todos os ônibus abarrotados. Quando os passageiros que passavam perrengue nos outros ônibus me reconheciam e a outros que estavam no bem e bom praguejavam contra Deus e o mundo.

Momento Fuck Yeah!!!! para mim.

Pobre é besta mesmo.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAaaahhhh tava muito bom pra ser verdade!!!

O busão bateu numa árvore.

INACREDITÁVEL. Numa árvore.

Quando o primeiro ônibus abarrotado chegou o som das gargalhadas foi mais alto que o gol do Corinthians no estádio.

E assim cheguei todo amassado no metrô e quase uma hora atrasado no trabalho. Escarneado pelos companheiros do busão nosso de cada dia.

Mas tá beleza..."O importante é que emoções eu vivi".

domingo, 28 de agosto de 2011

Chorou, Parou - Parte I


Ok. Devo esclarecer que o título não é apropriado, já que remete às crianças mimadas que param de brincar quando são contrariadas nas brincadeiras. Não é justo com um cidadão que está ali honestamente prestando um serviço para a sociedade no transporte coletivo. E sabemos como é difícil prestar esse serviço em alguns momentos.
Contexto: De tempos em tempos uma malandragem fica comum nos ônibus: a Carona. Indivíduos na maior cara-de-pau pedem ao motorista para viajar sem pagar. Isso é um grande desrespeito pra quem paga, porque, com arrecadação menor, o valor da passagem aumenta. Enfim, esse ato agora é totalmente ilegal, mas seus praticantes continuam tentando.
Aí, você considera também todos os públicos de um ônibus matinal: estudantes, trabalhadores, aspirantes a executivos ainda sem carro, pessoas doentes, idosos, bebados, crianças…misture tudo no liquidificador e coloque num busão lotado às 7h30 da manhã.
O bêbado “corteja” a estudante bonitinha, a idosa estressada com o descaso de seu inss desconta no aspirante a executivo, a criança (que agora tem celular) escuta funk no ultimo volume sem fone. É o caos.
E nesse caos, um malandro não quis pagar passagem. E o cobrador, protetor da catraca e da cidadania, prestador de serviço público, guardião da moral e bons costumes do busão não deixou. Pra quê? O Malandro se rebelou começando uma enorme discussão, desrespeitou as senhorinhas que defenderam o cobrador e o motorista que pedia para ele descer. 
De repente, sem mais nem menos ele pulou a catraca. Ficou lá de boa, assobiando como se nada tivesse acontecido. O coitado do cobrador se sentiu humilhado. Se sentiu tao humilhando que gritou “EU NÀO AGUENTO MAIS” e aproveitou o trânsito e a porta aberta e foi embora do ônibus, deixando seu lugar vago.
MANOS, O COBRADOR FOI EMBORA DO ÔNIBUS, PRA SEMPRE!!!
Continua…

terça-feira, 23 de agosto de 2011

476G - Ibirapuera/ Jardim Elba


Nem preciso contar historinha.
Veja esta imagem

 É molecada, tão vendo como essa linha realmente rende histórias inusitadas?

Contribuição do Amigo Guilherme @mudaum Mello Garcia, que também viaja pela vereda da realidade ficcionária desta grande linha da SPTrans.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

O Bêbado Equilibrista

“Caía a tarde feito um viadutoE um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos…”
Elis, Elis. Genial intérprete de canções brasileiras. Ah se ela soubesse que um dia iria parar aqui na introdução de mais um personagem destas veredas…
EEEEEEE Cachaça. Quando a marvada te pega, meu amigo, sabe lá deus quando seus efeitos acabarão, sabe lá deus quando as suas lambanças acabarão. Que a ressaca nossa de cada dia seja cada vez menos uma ressaca moral.
Caía a tarde no viaduto e no ponto de ônibus deste viaduto havia um bêbado trajando luto. Longe de ser um tipo comum pois além de estar trajando um bonito, porém surrado, terno estava no mais alto grau de embriaguez. Adentrou ao veículo se fazendo notar, saudou todos os desconhecidos passageiros como se fossem amigos de longa data. Praguejou contra o prefeito da época e arrancou alguns sorrisos. Se sentou.
Como quase ninguém, que esteja sóbrio, fica dando tréla para conversa de ébrios desconhecidos ele adormeceu em seu assento.
Com o passar da viagem o ônibus encheu e uma senhora sentou ao seu lado. Nada de anormal até que ele se virou no seu sono e ficou apoiado na senhora. Ela se esquivou e praguejou, levantou, xingou…só que o bêbado ficou ali imóvel numa posiçao, como posso descrever…Ele estava com as pernas voltadas pra janela, mas seu tronco, braços e cabeça virados para o outro lado. Não sei se deu pra visualizar, mas era necessário ser muito ninja para se manter dormindo naquela posição. 
Ah, mas a senhorinha queria treta, c acha? Bebum no bumba, mano? Tá tirando com a minha cara? E enquanto ela gritava o cara não se mexia. Ela partiu pra agressão, ele não acordou. Empurrou, chacoalhou, deu um tapa….nada. Com toda essa bagunça, nosso herói agora estava de joelhos no corredor, esparramado no banco.
Aí a senhora mudou totalmente o semblante contrariado para preocupado, olhou pra mim e falou “Moço, me ajuda”. Eu e outros tentamos acordá-lo…nada. Aí a senhorinha desesperou “OW MOTORISTA PÁRA ESSE ÔNIBUS QUE TEM UM MORTO AQUI”. Nisso a cobradora se levantou e começou um barraco: ” O QUE TÁ ACONTECENDO AQUI? NÃO VAI PARA ÔNIBUS NENHUM!! AH SEU BEBADO DISGRAMDO…” Nada. Aí o ônibus parou.
E foi impressionante como a possibilidade da morte fez com que 80% dos passageiros saíssem do ônibus. Enquanto chamavam ambulância, discutiam se levavam pro hospital, etc chegou um policial. Como ele tinha uma garrafinha de água em mãos despejou na cara do bêbado. Nada. Aí o policial abriu os olhos dele. Os olhos se mexeram sobrenaturalmente dando o maior susto na senhorinha. O cara acordou e falou “Prefeito do ca****, nem dormir em paz esse vagabundo deixa”.
Agora amigos, imagine você, acordando de um sonho profundo no meio de um ônibus parado, com a cara molhada, um policial e 6 pessoas olhando pra você? Passou a bebedeira na hora com a adrenalina do susto e o tiozinho ficou totalmente desorientado da vida. Perguntava “quem são vcs? o q vcs querem? o que é isso? 
O paramédico chegou e não acreditava em toda aquela situaçao de conflito e resolveu fazer algo diferente: pegou o celular do bêbado e ligou para a esposa dele. como eles moravam perto dali, o bêbado em choque foi de carona para casa na ambulância.
E você aí deve estar com pena da bagunça mental na cabeça do bêbado equilibrista né?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A Batalha na Terra Média


O sociólogo Durkheim desenvolveu um intrigante estudo sobre o suicídio como fato social. Uma das estatísticas mais perturbadoras que ele encontrou foi a de que a maior incidência dos suicídios se dava no fim-de-tarde, lusco-fusco do domingo, sim aquele momento em que você vê a vinheta do Fantástico na Tv e se recorda da segunda-feira de sua vida depressiva que virá pela frente.
Foi andando de ônibus neste horário que eu vislumbrei mais ou menos o que ele queria dizer. Amigos, busão no domingo é um festival de cenas curiosas. Eu já peguei ônibus no domingo-fim-de-tarde com grupos de todas as torcidas organizadas da cidade (até da Portuguesa), já peguei ônibus com grupos religiosos fervorosos cantando seus cânticos dominicais num volume de som talvez maior que os de gritos dos estádios. Nem preciso contar os grupos de adolescentes voltando do parque do Ibirapuera causando no busão e o grupo de moças retornando depois de um belo dia panfletando anúncios de condomínios.
Ainda assim, acredito que nada foi tão perturbador quanto encontrar um grupo de nerds fantasiados para uma batalha imaginária. Acho que o próprio Tolkien teria vergonha alheia e aproveitaria o horário para endossar teoria a durkheimiana.
Eram umas 30 pessoas vestidas com armaduras feitas de papel laminado, cotas de malha de abridor de latinha, escudos de madeira, espadas de madeira, lanças de isopor. Mesmo nesse ambiente se distinguia ali uma velada disputa de classes. Os que tinham os melhores materias ficavam se achando, eram os líderes, ficavam explicando cada detalhe da confecção de suas armas de mentira..mas o que mais me chamava a atençao era como eles eram escandalosos.
Na minha mente preconceituosa julguei que, por serem nerds gordos espinhudos raramente saíam para a rua e tinha dificuldades para o convívio na sociedade, me perdoem. 
Foi aí então que no ônibus ao lado apareceu o clã adversário. Os do meu ônibus usavam roupas em que predominavam o vermelho e no outro ônibus, verde. Aí começou uma verdadeira batalha ao melhor estilo Terra Média. Uma corneta mega estridente quase me deixou surdo e logo em seguida gritos de Uruk-hai invadiram a Av. Lins de Vasconcelos.
Parecia que os motoristas de ônibus estavam combinados com os elfos e cavalheiros em disputa e mantinham seus veículos lado a lado. Uma menina, bonita até, veio até o meu assento e em tom solene me disse que eram tempos difíceis e por isso o rei decretou que toda a ajuda era necessária (HAHAHA). Antes de eu decidir por não aderir a batalha os caminhos dos onibus se divisaram.
A algazarra deu lugar a um silêncio quase mortal. Era tanta a decepção deles com o fim precoce da guerra que deu dó da cara triste deles. Achei que eles iriam chorar, mas ao invés disso acho que se deram conta de que o domingo tinha acabado e que uma segunda-feira viria pela frente. Aí eles se sentaram, ligaram mp3, dormiram, namoraram…seguiram o resto da viagem como viajantes normais.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

El Mago

Até onde vai a criatividade humana? O instinto de sobrevivência deve ser um dos maiores fatores de inspiração nesse mundão véio sem porteira. Quem de vocês, amigos usuários do transporte coletivo, nunca deparou com um vendedor de balas no ônibus? Aliás balas, mapas do Brasil, taboadas, piadas…é uma ampla rede de comércio informal desenvolvida. Uma rede tão complexa que as vezes penso estar munida de alto grau de instrução nas táticas de marketing direto. Recomendo a algum pensador um dia fazer análise dos discursos proferidos nesse ambiente repleto de possibilidades. 
Feita esta introdução apresento-lhes o vendedor de balas “El mago”. Melhor, ele vai se apresentar “Boa noite amigos viajantes. Viagem sim, todo mundo que pega essa linha faz um mega rolê casa-trabalho/ trabalho-casa, eu inclusive, já que estou aqui trabalhando. Acho muito chatos os vendedores de ônibus, mas como infelizmente a vida acabou me tornando um deles, tentarei aqui pedir a sua ajuda entretendo a sua viagem”. Após dizer essas palavras ele pegou um chapéu estilo Merlin, mudou para um sotaque castellano e disse “Me llamo El Mago”.“Yo farei una magica para ustedes, estan mirando este halls? Custa Un real na padariae outras lojas, mas aqui, señorita hable comigo “Abracadabra” (a moça repete) e aqui está. Agora custa 50 centavos, 3 por um real” Pois é tão tosco que era divertido.Depois de meia-dúzia de ”mágicas” eu já tinha voltado a ler meu livro. Aí eu ouvi um “oóóóóóóóoóóhhhhh”. O mago dava o troco para as pessoas com números de ilusionismo diversos. Tirava a moeda da orelha do comprador, fazia notas aparecerem no assento sem que alguém se levantasse e eu tive a impressão de que algumas pessoas só efetuaram alguma compra para ver mais um truque. Teve gente que deu dinheiro sem comprar nada. Você que leu até aqui esperando algo surreal, é óbvio que teve esse momento. El mago, começou a se despedir dos passageiros e quando o motorista abriu a porta de saída ele JOGOU UMA BOMBA NINJA, fazendo a maior fumaceira no busão…e obviamente sumiu na neblina.Manos, foi tão cabulosamente inexplicável que teve gente que aplaudiu, gente que tossiu, gente com medo de que o fogo de artifício explodisse o ônibus…Imediatamente o motorista parou o veículo para entender o que tinha acontecido…e sem resposta plausível prosseguiu viagem. E durante todo o trajeto os passageiros só falavam do mago: uns com os outros, ligando pra namorada, felizes, furiosos, mas de nenhuma maneira indiferentes.Algo me diz que aquela foi uma das últimas viagens do Mago. Cheguei a vê-lo novamente vendendo balas no ônibus, mas aí ali já tinha se tornado um outro personagem, que talvez um dia seja relatada aqui.