Até onde vai a criatividade humana? O instinto de sobrevivência deve ser um dos maiores fatores de inspiração nesse mundão véio sem porteira. Quem de vocês, amigos usuários do transporte coletivo, nunca deparou com um vendedor de balas no ônibus? Aliás balas, mapas do Brasil, taboadas, piadas…é uma ampla rede de comércio informal desenvolvida. Uma rede tão complexa que as vezes penso estar munida de alto grau de instrução nas táticas de marketing direto. Recomendo a algum pensador um dia fazer análise dos discursos proferidos nesse ambiente repleto de possibilidades.
Feita esta introdução apresento-lhes o vendedor de balas “El mago”. Melhor, ele vai se apresentar “Boa noite amigos viajantes. Viagem sim, todo mundo que pega essa linha faz um mega rolê casa-trabalho/ trabalho-casa, eu inclusive, já que estou aqui trabalhando. Acho muito chatos os vendedores de ônibus, mas como infelizmente a vida acabou me tornando um deles, tentarei aqui pedir a sua ajuda entretendo a sua viagem”. Após dizer essas palavras ele pegou um chapéu estilo Merlin, mudou para um sotaque castellano e disse “Me llamo El Mago”.“Yo farei una magica para ustedes, estan mirando este halls? Custa Un real na padariae outras lojas, mas aqui, señorita hable comigo “Abracadabra” (a moça repete) e aqui está. Agora custa 50 centavos, 3 por um real” Pois é tão tosco que era divertido.Depois de meia-dúzia de ”mágicas” eu já tinha voltado a ler meu livro. Aí eu ouvi um “oóóóóóóóoóóhhhhh”. O mago dava o troco para as pessoas com números de ilusionismo diversos. Tirava a moeda da orelha do comprador, fazia notas aparecerem no assento sem que alguém se levantasse e eu tive a impressão de que algumas pessoas só efetuaram alguma compra para ver mais um truque. Teve gente que deu dinheiro sem comprar nada. Você que leu até aqui esperando algo surreal, é óbvio que teve esse momento. El mago, começou a se despedir dos passageiros e quando o motorista abriu a porta de saída ele JOGOU UMA BOMBA NINJA, fazendo a maior fumaceira no busão…e obviamente sumiu na neblina.Manos, foi tão cabulosamente inexplicável que teve gente que aplaudiu, gente que tossiu, gente com medo de que o fogo de artifício explodisse o ônibus…Imediatamente o motorista parou o veículo para entender o que tinha acontecido…e sem resposta plausível prosseguiu viagem. E durante todo o trajeto os passageiros só falavam do mago: uns com os outros, ligando pra namorada, felizes, furiosos, mas de nenhuma maneira indiferentes.Algo me diz que aquela foi uma das últimas viagens do Mago. Cheguei a vê-lo novamente vendendo balas no ônibus, mas aí ali já tinha se tornado um outro personagem, que talvez um dia seja relatada aqui.
Feita esta introdução apresento-lhes o vendedor de balas “El mago”. Melhor, ele vai se apresentar “Boa noite amigos viajantes. Viagem sim, todo mundo que pega essa linha faz um mega rolê casa-trabalho/ trabalho-casa, eu inclusive, já que estou aqui trabalhando. Acho muito chatos os vendedores de ônibus, mas como infelizmente a vida acabou me tornando um deles, tentarei aqui pedir a sua ajuda entretendo a sua viagem”. Após dizer essas palavras ele pegou um chapéu estilo Merlin, mudou para um sotaque castellano e disse “Me llamo El Mago”.“Yo farei una magica para ustedes, estan mirando este halls? Custa Un real na padariae outras lojas, mas aqui, señorita hable comigo “Abracadabra” (a moça repete) e aqui está. Agora custa 50 centavos, 3 por um real” Pois é tão tosco que era divertido.Depois de meia-dúzia de ”mágicas” eu já tinha voltado a ler meu livro. Aí eu ouvi um “oóóóóóóóoóóhhhhh”. O mago dava o troco para as pessoas com números de ilusionismo diversos. Tirava a moeda da orelha do comprador, fazia notas aparecerem no assento sem que alguém se levantasse e eu tive a impressão de que algumas pessoas só efetuaram alguma compra para ver mais um truque. Teve gente que deu dinheiro sem comprar nada. Você que leu até aqui esperando algo surreal, é óbvio que teve esse momento. El mago, começou a se despedir dos passageiros e quando o motorista abriu a porta de saída ele JOGOU UMA BOMBA NINJA, fazendo a maior fumaceira no busão…e obviamente sumiu na neblina.Manos, foi tão cabulosamente inexplicável que teve gente que aplaudiu, gente que tossiu, gente com medo de que o fogo de artifício explodisse o ônibus…Imediatamente o motorista parou o veículo para entender o que tinha acontecido…e sem resposta plausível prosseguiu viagem. E durante todo o trajeto os passageiros só falavam do mago: uns com os outros, ligando pra namorada, felizes, furiosos, mas de nenhuma maneira indiferentes.Algo me diz que aquela foi uma das últimas viagens do Mago. Cheguei a vê-lo novamente vendendo balas no ônibus, mas aí ali já tinha se tornado um outro personagem, que talvez um dia seja relatada aqui.
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