segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Showmício

Caros amigos, vocês lembram do El Mago?

Pois é, depois de ter desaparatado de maneira cabulosamente inexplicável aquele dia, voltou a aparecer para alegrar as minhas viagens. E dessa vez ele voltou ainda mais criativo, agora ele era um político em campanha. Uma campanha esquisita se você levar em consideração sua apresentação:

"Boa noite a todos, hoje estou aqui em nome das Lojas Marabalas e das Casas Balinha, mas antes de vocês conferirem minhas promoções imperdíveis, devo dizer que estou em camapanha política, meus amigos, minha venda servirá para vocês me apoiarem na candidatura de  'Representante Internacional contra a exploração da Mais Valia corporativa" (algo assim)

PÁRA TUDO. Como assim um vendedor de balas em nome das lojas fantasiosas supracitadas me aparece apresentando um conceito marxista complexo para vender balas no ônibus? Cara, que papo de doido. Não tenho saco, então se você não sabe o que é Mais Valia pergunte ao oráculo.

Então nosso amigo vendedor começou uma intrigante história na qual ele envolvia Hugo Chavez (chaveiro chavez), Lula (Lula Moslusco) e George W. Bush, filho de Geoge Bush (Juninho). E, meus amigos, era um discurso admirável, lógico e acessível tão impressionante que ele fazia relação dos ataques de 11 de setembro com expeculação imobiliária, defesa das fronteiras amazônicas, políticas de crédito e corrupção. Fiquei boquiaberto, processando aquelas informações e me sentindo um completo babaca por estudar na maior universidade do país e não fazer disso uma oportunidade de retribuir a sociedade. Um vendedor de balas no ônibus faz mais que eu...

Olha a genialidade. Existe uma certa concorrência nesses serviços informais vendidos no ônibus e uma delas é a intervenção de músicos, que se apresentam na esperança de um troco. Enquanto o Marabalas discursava entrou um músico com seu violão. Esse músico um dia vai merecer sua história, pois é um grande personagem, mas por hora saibam que ele é um exímio violonista-gaitista-vocalista-backingvocal, que manda tão bem no embromation, que arranca aplausos...e moedas, claro.

Voltando a genialidade. Quando o vendedor viu o músico, gritou: "Mas claro que meu discurso não é em vão, para conseguir mais um pouco da atenção de vocês aqui está o meu amigo, estrela do meu SHOWMÍCIO". ao ouvir showmício o ônibus entrou na gargalhada.

Lembro vagamente que era uma daquelas viagens suplício, com chuva lá fora, janelas fechadas, ambiente abafado, trânsito e tudo aquilo me deixou bastante reflexivo. E com aquele vendedor de balas que um dia foi mago e naquele dia era político aprendi que não importa o quão ferrado vc esteja na sua vida, isso não deve te impedir de acrescentar na vida dos outros, nem que seja uma risada, nem que seja uma reflexão política, nem que seja uma música embromada...

Naquele dia ele disse uma frase clichê, mas que dado o momento ficou ecoando na cabeça para sempre: "quem quer, faz, quem não quer dá desculpas."

3 comentários:

  1. eu não consigo parar de reler e rir de "Lojas Marabalas e Casas Balinha"

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  2. HAHAHAHAHAHA O MARABALAS foi ótimo.

    Gênio, Dudinha. Gênio.

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  3. Não vejo a hora de ouvir a história do cantor! ;)

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